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Terça, 29 de setembro · Brasília, DF Agenda da semana · @brasilia.indica
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Guia de visita

Memorial dos Povos Indígenas: a maloca de Niemeyer que quase virou outra coisa três vezes

Em frente ao Memorial JK, a espiral branca de Niemeyer abriga uma arena de areia a céu aberto e 600 m² de exposição. A entrada não tem ingresso previsto e o prédio quase foi outro museu três vezes.

Redação Brasília Indica· Cultura· · leitura de 3 min
Fachada branca e circular do Memorial dos Povos Indígenas, com a marquise curva de Niemeyer e o gramado da Praça do Buriti em primeiro plano

Foto: Cayambe/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Se você já passou pela Praça do Buriti e reparou naquela espiral branca com uma lâmina de concreto atravessando o telhado, passou pelo Memorial dos Povos Indígenas sem entrar. Vale entrar. Ele fica no Eixo Monumental Oeste, bem em frente ao Memorial JK, e é um dos prédios de Oscar Niemeyer que quase ninguém do DF conhece por dentro.

A forma não é decorativa. Niemeyer desenhou a construção inspirado numa maloca Yanomami, no início dos anos 1980, para receber o acervo do Museu do Índio, que a Funai planejava transferir do Rio de Janeiro. A mudança nunca aconteceu, e o prédio ficou.

O que você vê lá dentro

O percurso é curto e cabe numa manhã. Você entra por uma rampa, passa pelo hall e chega ao miniauditório de 48 lugares, usado para filmes, palestras e oficinas. Depois vem a área expositiva, com cerca de 600 m² e três paredes curvas brancas, onde ficam as mostras temporárias.

O ponto alto é a arena: um círculo de 916 m² com piso de areia e céu aberto, no meio do prédio, feito para apresentações e rodas de conversa. É a parte que mais surpreende quem entrou esperando um museu convencional de vitrine e cordão.

A história que explica o prédio

O Memorial passou mais tempo fechado do que aberto nas duas primeiras décadas. A antropóloga Berta Ribeiro foi chamada pelo GDF para conceber o espaço como lugar de pesquisa sobre os povos originários, e as reuniões reuniram lideranças como Raoni, Marcos Terena, Megaron e Ailton Krenak. Mesmo assim, o destino do edifício mudou três vezes:

  • 1987: o então governador José Aparecido de Almeida destinou o prédio ao Museu de Arte Moderna de Brasília. A reação indígena derrubou o projeto e o edifício ficou fechado até 1989.
  • 1990: Fernando Collor transformou o espaço em Museu de Arte Moderna. A primeira exposição foi cancelada no dia da inauguração, depois de uma tempestade alagar o prédio.
  • 1994: virou Museu de Brasília, ligado ao Instituto Histórico e Geográfico. Durou três meses. O prédio ainda foi cogitado como sede da Câmara Distrital.

Em março de 1995 a administração voltou ao Distrito Federal, que devolveu o local à causa indígena. No Dia do Índio daquele ano, lideranças Karajá, Kuikuro, Terena e Xavante fizeram a posse simbólica do agora Memorial dos Povos Indígenas. Até a reabertura oficial, em 1999, o espaço só foi aberto uma vez: em 1997, para velar o corpo de Galdino Pataxó.

Antes de ir, confirme o horário

Aqui vai um detalhe que vale a ligação. As duas páginas oficiais do GDF divergem. A ficha do equipamento na Secretaria de Cultura, atualizada em outubro de 2025, diz terça a domingo e feriados, das 9h às 17h. A carta de serviços do mesmo órgão, atualizada em março de 2025, diz terça a sexta das 9h às 17h e sábados, domingos e feriados das 10h às 17h. Se você planeja chegar cedo no fim de semana, ligue antes.

Nenhuma das duas páginas prevê cobrança de ingresso, e a visita guiada aparece como serviço oferecido, com agendamento por telefone ou e-mail, preferencialmente para escolas públicas. A programação de exposições sai nas redes do próprio Memorial.

Onde
Eixo Monumental Oeste, Praça do Buriti, em frente ao Memorial JK, Zona Cívico-Administrativa, CEP 70070-300
Quando
Terça a domingo e feriados, das 9h às 17h (a carta de serviços do GDF registra 10h às 17h aos sábados, domingos e feriados; confirme por telefone)
Quanto
Sem ingresso previsto nas páginas oficiais do GDF
Visita guiada
(61) 3344-1155 e (61) 3344-1154; agendamento escolar em educativo.mpi@cultura.df.gov.br
Acessibilidade
Entrada por rampa, vaga reservada no estacionamento em frente, sala de exposição e auditório sem barreiras
Como chegar sem carro
Qualquer linha que pare na Praça do Buriti ou na Rodoviária do Plano Piloto, com caminhada pelo Eixo Monumental Oeste
Site oficial
cultura.df.gov.br/memorial-dos-povos-indigenas
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